segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Space Oddity

Complementando o post anterior, estou colocando a tradução da música. Peço desculpas se pareço arrogante não postando as traduções... É só uma questão de publicar os originais. Aproveito a ocasião para dar algumas informações sobre a música: ela foi lançada em 72, em um disco com o mesmo nome. No mesmo ano foi lançado o "Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars", ou só "Ziggy Stardust". Apogeu e fim da fase futuristica-espacial do Bowie. O título "Space Oddity" faz referencia ao Space Odyssey, livro do Arthur Clark que Stanley Kubrick transformou em sucesso no cinema. Bem, a tradução abaixo foi feita por mim, logo, está toda imperfeita. Aceito sugestões e comentários.

Odisséia Espacial - David Bowie

Base Terrestre para Major Tom
Base Terrestre para Major Tom
Pegue (ou tome) suas pílulas de proteínas e coloque seu capacete
Base Terrestre para Major Tom
Começando a contagem regressiva, motores ligados
Dê a partida e que Deus lhe proteja (literalmente: que o amor de Deus esteja contigo)

Dez, Nove, Oito, Sete, Seis, Cinco, Quatro, Três, Dois, Um, Lançar!

Aqui é a Base Terrestre para Major Tom
Você de fato fez uma proeza
E os jornais querem saber que camiseras você veste
Agora é a hora de deixar a capsula, se você quiser
"Aqui é o Major Tom para a Base Terrestre
Estou caminhando para a porta
E eu estou flutuando de um jeito curioso
E hoje as estrelas parecem muito diferentes
Daqui
Estou sentado em uma lata (velha?)
Muito acima do mundo
O Planeta Terra é azul
E não há nada que eu possa fazer (em inglês isso rima..:)
Embora eu tenha passado por cem mil milhas
Estou me sentindo muito igual (ou algo assim)
E eu acho que minha nave espacial sabe que rumos deve tomar
Falem para a minha esposa que eu amo demais, ela sabe"
Base Terrestre para Major Tom
Seus circuitos estão em curto, há algo errado
Você pode me ouvir, Major Tom?
Você pode me ouvir, Major Tom?
Você pode me ouvir, Major Tom?
Você pode...
"Aqui estou eu orbitando minha lata (voadora? velha?)
Muito acima da Lua
O Planeta Terra é azul
E não há nada que eu possa fazer."

sábado, 9 de setembro de 2006

Existo

Ainda existo. No momento, é o máximo que posso dizer.


* * *

Agradeço a todas as cerca de 6 pessoas que têm comentado sobre o blog, aqui ou no orkut. Só devo lembrar que se me elogiar sem se identificar eu vou achar que foi a minha mãe.


* * *

Jamais consegui decifrar esta música, aliás, conhecidíssima. Mas a impressão que tenho desde a primeira vez que a ouvi é que ela tematiza o suicidio. Anyway, esta fase do Bowie é fabulosa!

Space Oddity, por David Bowie

Ground Control to Major Tom
Ground Control to Major Tom
Take your protein pills and put your helmet on
Ground Control to Major Tom
Commencing countdown, engines on
Check ignition and may God's love be with you

Ten, Nine, Eight, Seven, Six, Five, Four, Three, Two, One, Liftoff

His is Ground Control to Major Tom
You've really made the grade
And the papers want to know whose shirts you wear
Now it's time to leave the capsule if you dare
"This is Major Tom to Ground Control
I'm stepping through the door
And I'm floating in a most peculiar way
And the stars look very different today
For here
Am I sitting in a tin can
Far above the world
Planet Earth is blue
And there's nothing I can do
Though I'm past one hundred thousand miles
I'm feeling very still
And I think my spaceship knows which way to go
Tell my wife I love her very much she knows"
Ground Control to Major Tom
Your circuit's dead, there's something wrong
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you....
"Here am I floating round my tin can
Far above the Moon
Planet Earth is blue
And there's nothing I can do."

sábado, 15 de julho de 2006

Vocação?

Sempre fico imaginando que há em mim algo grandioso a ser descoberto. Alguma capacidade especial, uma especialidade que me torne singular entre milhões. Essa virtude, quando descoberta, faria com que minha vida enfim passasse do devaneio à realização. Mudaria minha maneira de ver o mundo, me traria respostas. Mas onde estaria ela? Seria a arte? Mas que arte? Artes cênicas, plásticas, visuais? Seria a arte da palavra? Que tal música? Mas música erudita, folclórica, instrumental, pop, eletrônica ou world? Bach, Gil ou Mc Serginho? Ou seria então minha virtude a engenharia? Serei eu um grandioso engenheiro civil a ser descoberto? E por que não a engenharia mecânica, elétrica, química, de alimentos, de tecidos, de concreto, de arbustos ou de banquinhos? Serei eu o novo Sócrates a re-revolucionar a filosofia? Ou então serei eu a grande potencialidade política para resolver os problemas do Brasil? Serei eu o maior biólogo de todos os tempos em stand by? Conhecedor dos Mares, como Jacques Costeau? O Novo Darwin? Ou então minha vocação seria a Física? Arquimedes pós-moderno? Einstein pós-punk? Serei eu um pesquisador com potencial para desenvolver o fármaco da cura do câncer? Ou serei eu um atleta? Essa hipótese é assombrosa. Quando era novinho, sonhava em ser jogador de futebol, como todos. Essa vocação é uma das poucas que pude verificar na empiria não possuir. Mas será que joguei volley o suficiente na escola? E basquete? Terei eu acertado ao desistir tão precocemente da natação? E o desleixo com os treinos de xadrez, me terão rendido o anonimato eterno? Seria eu o novo Kasparov a derrotar o Deep Blue? Será que me dediquei como devia ao tênis de mesa? Ou então, será que a falta de incentivo à pratica do atletismo, que eu tanto gostava, terá ocultado do mundo o sucessor do Ben Johnson? Badmington, Pólo, Pólo Aquático, Golfe, Baseball, Rugby, Tênis, Squash, Ciclismo, Triathlon, Pentatlo, Capoeira, Judô, Muay Thai, Ginástica Olímpica ou Artistica, Salto Ornamental e tantos outros esportes que eu nunca pratiquei. Estará em algum deles a porta do meu futuro que eu nunca abrirei? Esse é o meu grande medo. Nunca desmontei um motor, pintei um quadro, fiz um suéter ou uma cerâmica. Estarei eu no caminho errado? Tenho uma convicção estranha de que todos nascem com um domínio. Ninguém, no entanto, nasce sabendo onde ele está. Alguns parecem o encontrar, pela extrema competência com que desenvolvem suas atividades: Shakespeare, Napoleão, Lévi-Strauss e Zidane. Que seria de nós se Shakespeare fosse militar e Napoleão escritor? Lévi-Strauss jogador de futebol e Zidane antropólogo? Essas excepcionalidades me fazem acreditar mesmo é que a maioria das pessoas nasce vive e morre em domínio alheio. Afinal, o que define a atividade que uma pessoa exercerá durante a vida é algo puramente contingencial: a situação financeira, o local de nascimento, uma amizade, um amor, um professor. É claro que nessa hora a sociedade cai com todo o seu peso sobre essas escolhas. Um jovem norueguês não se descobrirá xamã como dificilmente um pescador do Amparo se descobrirá engenheiro nuclear. Nesse caso a própria sociedade poderia ser vista como "contingencial". No entanto, é impossível dizer o que há do individuo além do território da sociedade que o comporta. De qualquer forma, o mar de possibilidades vislumbrado por mim, mesmo na esfera das atividades da nossa sociedade, é suficiente para solapar qualquer otimismo. Será que não bastasse ser um intelectual, será preciso ser um cientista, mais que cientista, um físico, mais que físico, um físico nuclear, mais que físico nuclear, especialista no átomo, ou ainda além, especialista no próton, mais que isso, será que é preciso ser especialista no movimento da direita para a esquera de um quárk para se encontrar vocacionalmente ou será isso justamente o contrário? Será a especialização uma forma de se apropriar de um domínio que não é seu por nascimento, apenas por exclusão de qualquer outro possível dono? Então, como se encontrar? Será preciso experimentar todas as possibilidades? Se assim for, nossa vida é uma piada miserável. Acaso as genialidades são construídas conjunturalmente? Bem provável, o que não muda a idéa de que há um campo especial de desenvolvimento das potencialidades de cada pessoa. Nos séculos XVIII e XIX, alguns pensadores como Saint-Simon e especialmente Charles Fourier sonharam com um mundo de equidade em que todos descobririam naturalmente suas vocações espontâneas e o mundo as aceitaria. É a teoria de que há uma justa e natural distribuição das vocações no mundo. Diferente da arbitrária distribuição que cria milhares de médicos e advogados 'por vocação' e tão poucos que sonham em ser lixeiros. Não por acaso foram chamados de utópicos. Mas independente da insignia que lhes apregoam, é interessante pensar num mundo assim. Um mundo em que a plena realização não se encontrará escondida através de uma hiperclassificação das atividades. (texto violentamente interrompido pela perda de motivação)

sábado, 1 de julho de 2006




quarta-feira, 14 de junho de 2006

Coisas

Muitas coisas nesse fim de semestre. Muitas coisas pra fazer, muitas coisas pra pensar. Tenho percebido transformações ontológicas, mas todas elas têm rendido textos demasiado confusos. Escrevi um longo texto sobre "certeza & dúvida" que no fim, só me rendeu uma vergonhinha e nada mais. Achei melhor não postar. Quando estamos certos demais das coisas, escrevemos coisas prepotentes e imprestáveis. Mas quando são as dúvidas que imperam, só escrevemos hiatos ou, no máximo, textos verborrágicos que não chegam a lugar algum.
Assim sendo, imaginemos que estamos no kula e, após ter recebido um belo soulava, e não tendo ainda um mwali a autura para retribuir, concedo-lhes uma pequena dádiva musical (como sempre) para sinalizar minhas intenções de continuar no circuito afetivo dos que me lêem.

Stockolm Syndrome é um nome interessante para aquelas situações em que já não sabemos "pra onde vamos, de onde viemos". E yo la tengo, claro, é fantástico.

Yo La Tengo - Stockholm Syndrome


What's the matter, why don't you answer
What's the matter with me
Cause it's so hard to be
Free and easy, we'll disappear completely
Hardly as I've known it's glad

You're heart is broken, and the doors are open
As you're hoping to be
There's brighter places to see
Hands need warning, early in the morning
Hardly as I've known a surprise

No, don't warn me
I know it's wrong, but I swear it won't take long
And I know, you know,
It makes me sigh; I do believe in love

Another season, but the same old feelings
Another reason could be
I'm tired of aching, summer's what you make it
But I'll believe what I want to believe