quarta-feira, 21 de novembro de 2007

No meio do seu cu


Na minha adolescência, quando uma pessoa estava com raiva de outra, dizia "Vai se foder". Se a raiva era um pouco maior e já continha um quê de hostilidade, dizia "Vai tomar no cu" . Agora, se a situação tinha passado do limite do tolerável, se a pessoa estava disposta a encampar uma guerra, o que ela tinha que fazer era dizer com força e pausadamente "Vai ... tomar ... no .... meio ... do ... seu ... cu!". Imaginem só, no meio! A linguagem é mesmo muito instigante.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Dúkkulísur

Dúkkulísur

Ég finn óttann hríslast um mig

Niður bakið, svarti galdur
Langt, langt inni í huga
Hríslast straumur

Race niche

Ég finn óttann hríslast um mig
Niður bakið, svarti galdur
O langt
Niður bakið hríslast straumur

Bella niche

Ég finn óttann hríslast um mig
Svarti galdur
Langt, langt inni í huga
Hríslast straumur

Bella niche

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Tappi Tíkarrass
Í
Rokk Í Reykjavík !!!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Fragmento de diálogo entre Luca Tamborelli e Andrea Ciorata

"E então, meu amigo, o que você quer que eu te responda? Se eu pudesse, responderia sol, lua, espaço, universo. Responderia ar, água, pássaros, floresta. Se eu pudesse, responderia verde, meu amigo. Responderia verão, inverno, chuva, brisa. Responderia vida. Responderia tempo. Mas eu não posso. Eu poderia, no máximo, responder "sol", "lua" e assim por diante. Mas não é isso que gostaria de responder. Essas coisas entre aspas são representações, símbolos. E que diabos você iria querer com símbolos nessa hora? Eu te entendo. Foram os símbolos que te deixaram nesse estado. Por isso eu gostaria de te responder tudo isso. Um tudo novo, limpo de representações, ou melhor, à espera de sua representação. Quem sabe assim poderíamos pensar um mundo melhor. Mas eu não posso, você sabe. Sou apenas humano. Tudo o que posso responder são aspas. Algumas cheias, outras vazias, todas reticentes. E então, meu amigo, condenado a essa condição de representador, tolhido de toda construção sensível, que posso eu te responder, senão o silêncio?"

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Palavras ocas



Tem dias que as palavras não vêm. Ficam presas em algum lugar entre o desconforto e o desalento. Nesses dias a vontade é de puxá-las com os dedos e suavemente dobrá-las uma, duas, dez vezes até que tomem formas agradáveis ao olhar. Origami verbal, faria dobraduras em formato de gatinhos, flores, pássaros... Pois há dias em que o silêncio não basta e tampouco bastam as já velhas palavras, gastas pelo tempo, inutilizadas por uma nauseante repetição que insiste em esvaziá-las. De que valem palavras ocas?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sangue-frio


Sangue-frio


Sinto falta do que fazia antes. Criptografar em aparentemente banais ou enganosamente profundas mensagens aquilo que são simples devaneios. Coisas que não se diz, eu travisto. Mas a cada dia que passa leio menos, escrevo menos, penso menos. Em sentido contrário, cada vez mais me exijo mais apatia, mais silêncio, mais resignação. Não é fácil ver-se desintegrar lentamente, deixar-se suavemente ir com o vento. Se ontem era incapaz de matar uma inseto qualquer, hoje serei bem sucedido se for um bom queimador de carbono e ajudar a matar um planeta. Espero que passe logo. Farei-me de estúpido, se assim for preciso. Não ouvirei por meus ouvidos, não olharei por meus olhos. Vou me direcionar para dentro do si, último bastião da esperança. Lá onde algo ainda existe. Para além do ordinário, para além do possível.