domingo, 17 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Carnaval

Hoje tive uma daquelas descobertas desanimadoras: o carnaval, enquanto quebra da ordem, ruptura do cotidiano, inversão de papéis sociais, momento de alegria em que o povo extravasa seu desejo de um mundo mais livre, é muito mais divertido enquanto proposta teórica que enquanto prática.

Juro que tento gostar de carnaval, mas não tem jeito!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O segundo

2º lugar. O primeiro dos últimos. O melhor entre os piores. Um líder de fracassados.
Mas sobreviverei, ok? Já passei por piores.


Aí deu aquela sensação denovo. Vontade de ter 16 anos, de poder gozar da própria imbecilidade, de não ter a menor auto-crítica, mas principalmente de poder respirar. A época em que eu tinha um amigo com problemas. Hoje acho que tenho um que não tem. É bacana amadurecer, mas supimpa mesmo seria ter tudo ao mesmo tempo agora. Hoje eu me dedicaria a aprender um instrumento e teria uma banda de sucesso. Faria mais amigos. Deixaria tudo pra depois. Mas droga, a vida é isso, a gente está sempre cavando um buraco pra tampar outro. Ou a gente tem serenidade pra fazer escolhas, ou a gente tem escolhas pra fazer. Não dá, não dá. E isso é duro aceitar, ainda que fundamental. Foda mesmo é quando a gente percebe que está de bobeira. Olha, é raro a gente perceber que tem algum poder! Normalmente o poder é algo que tinhamos até um segundo atrás mas que já não nos pertence. Então perceber que pode fazer alguma coisa aqui, neste momento, e não fazer nada é um crime.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Bolinha no lugar errado

Odeio errar. Três bolinhas marcadas no lugar errado num papel cartão e eu me lembro como ser adulto não tem graça. :(

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A ruína de uma civilização

Tive um sonho interessante um tempo atrás.

Estavamos, eu e uma pessoa, em pé num lugar indefinido. Essa pessoa me falava, com muita persistência. "Você tem que fazê-lo, senão eu o farei. Você tem que fazê-lo, senão eu o farei." Em seguida chegava uma pessoa com uma arma e atirava em mim. O que eu tinha que fazer, que a pessoa tanto insistia, era atirar nessa pessoa antes de ela atirar em mim. Se eu não atirasse, a pessoa que estava ao meu lado atiraria. E tudo se passava assim, no pretérito imperfeito. Acontecia e se repetia, mas não da mesma forma. Após o tiro disparado, voltávamos ao inicio do diálogo. Algumas vezes eu até tentava atirar, mas ou errava o tiro, ou não conseguia apertar o gatilho. Na maioria, no entanto, eu apenas me recusava. Enquanto isso acontecia, uma frase ecoava em minha mente, ao fundo, como um narrador de filme bem ao estilo Dogville, dizendo "A ruína de uma civilização". Eu me recusava atirar pois para mim era inadmissível atirar em uma pessoa que eu sequer conhecia, mesmo que esta pessoa estivesse prestes a fazê-lo contra mim. Aquilo seria negar a tradição segundo a qual, pelo menos supostamente, criou-se nossa sociedade. Toda sociedade tem seus princípios, e o da nossa, ou pelo menos o da minha, é o da compreensão e o do diálogo. Atirar seria destruir com as próprias mãos um pedaço desse ideal. Deixar-se atingir seria permitir que também outro pedaço desse ideal fosse destruído. Eu sentia vontade de falar às pessoas. Sentia vontade de gritar aos ventos que estávamos nos afundando. Que ao invés de tiros, as pessoas deveriam trocar abraços.

E assim, nesse tempo cíclico, um não-tempo, a situação se passava como um mito. Aquilo não era uma história. Não era a história de um assalto ou de um assassinato. Era a dramatização de um ideal. Mesmo sendo um grande rejeitador de essencializações, não consigo não me perguntar: que mundo criamos? Com base em que? Acreditamos na democracia mas produzimos armas. Será isso mera hipocrisia ou a elevada consciência de nossa falibilidade? Algo rege mesmo nossa sociedade ou há apenas discursos vazios? Mais ainda, há mesmo discursos ou apenas fragmentos, falas perdidas que percorrem o tempo e o espaço em busca de outras com as quais se vincular, formando ligações que tem o poder de se auto validar? Existirá ou terá algum dia existido essa sociedade do intelecto? Sua menção apenas serviu para me fazer crescer longe da dureza do mundo vivido ou será que é o mundo vivido que se esqueceu de que sociedade foi parido?